Proteja seus rendimentos da inflação

Saiba como as mudanças na economia podem interferir diretamente no resultados de suas aplicações e qual a importância da revisão do seu plano de previdência

Com a perspectiva de reajuste de preços, elevação de juros, retração no mercado de trabalho e alta da inflação, a moeda se desvaloriza e a população perde seu poder de compra. Toda a economia sofre os efeitos desse cenário inflacionário – o que inclui a previdência privada.

Os planos de previdência complementar, assim como qualquer outro serviço, são reajustados de acordo com alguns índices de inflação, que refletem nos rendimentos das aplicações. “Os benefícios são reajustados de acordo com o regulamento de cada plano, estabelecido entre o participante e a entidade, de forma contratual. Mas, de maneira geral, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o índice mais utilizado como referência”, explica a diretora da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, Liane Câmara Matoso Chacon.

Seja qual for o índice escolhido pela entidade, nem sempre ele é suficiente para anular os efeitos da inflação do período sobre os rendimentos do contribuinte, conforme explica o advogado Pedro Inácio von Ameln Ferreira e Silva, especialista em Direito Tributário pela Fundação Getúlio Vargas. Contudo, com planejamento e disciplina, o participante pode proteger seu plano das perdas da inflação.

O mais importante é o participante fazer a revisão de seu plano e de suas contribuições regularmente. “O ideal é que as contribuições tenham sempre um ganho real ou pelo menos acompanhem a inflação, já que na previdência complementar cada participante constitui sua própria reserva que, no futuro, irá gerar o benefício. Assim, quanto maior for seu nível de contribuição para o plano de previdência complementar, maior será o benefício futuro”, diz Liane.

Aliás, essa é a grande vantagem do plano de previdência complementar: o participante pode – e deve – participar da gestão de seu plano de benefícios, acompanhando de perto as atividades de seu fundo de pensão e fazendo aportes extraordinários sempre que possível e, sobretudo, nos momentos de instabilidade financeira, quando é ainda mais importante proteger as reservas.

O professor de Finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) Marcelo Cambria recomenda, também, a realização de simulações para saber como esses reajustes afetarão o benefício e quanto as contribuições precisam aumentar, a cada período. “O monitoramento do saldo é extremamente importante. A simulação serve como uma revisão e ajuda a precisar se o saldo corrigido será suficiente para atender aos planos que se está fazendo para o futuro”, diz Cambria.

 

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